quinta-feira, 4 de abril de 2013

A ecologia da paisagem urbana

A cidade deve nos acolher em uma dimensão espacial e temporal que nos garanta condições adequadas para o trabalho, para alimentar-se, relacionar-se, divertir-se e estimular nossa essência afetiva. Um lugar para viver, habitar, viajar, aprender, desejar e também de memória.

O uso de materiais e energia para que a cidade provenha a sua função deve prever os recursos, a paisagem, a sociedade, a cultura e a história com a máxima eficiência. Porém, a emergência ambiental urbana associada ao atual modelo do comportamento humano impõe uma infra-estrutura urbana de interferência e de afinidades.

No centro da cidade de Manaus encontramos, como exemplo, os espaços riquíssimos de edificações históricas esmagados pela nova necessidade funcional do comércio que re-desenha e delimita o espaço de convivência comum. Verificamos também serviços essenciais que vêm como pacotes embrulhados de outros modelos urbanos que nem sempre se coadunam com a realidade local como percebemos na logística adotada no transporte.

A cidade moderna é funcional e dinâmica mas perde a dimensão humana. Um exemplo disso é a exclusão dos serviços públicos como o de lazer na periferia e a inserção de equipamentos urbanos em sua maioria dispostos inadequadamente nos bairros onde a administração pública tem maior atenção.

Vemos neste caso, as paradas de ônibus, os telefones públicos, floreiras, lixeiras e os containeres de lixo que estão em todos os lugares, sem qualquer cuidado e integração com a paisagem, seja um lugar moderno, contemporâneo ou antigo. Podemos ainda adicionar a tudo isso a falta de gestão pública integrada para administrar a segurança e limpeza destes espaços.

Reconhecemos assim a política da diferença e a dependência do espaço urbano da relação de poder.

No entanto, casa, espaço coletivo, cidade é a nossa identidade que devemos construir, cuidar e agir a cada dia. Porém, nossa agenda diária é cheia e precisamos logo nos refugiar em casa para recuperar energia e repetir uma jornada sucessiva. De volta ao trabalho passamos alheios aos espaços individuais e coletivos e não vemos o quanto à degradação ambiental urbana nos cerca.

Nesta roda viva, a velocidade do dia a dia nos faz mandar para os ares a emoção. Vivemos crises econômicas, ambientais e o caos que é a cidade hoje. O sistema é complexo e nossa percepção alhures. Estamos muito longe, alheios, sem sentimento e interação com o que nos cerca.

Entretanto, tudo isto nos é inerente e essa é a impressão que deixamos como marca da nossa geração pois da responsabilidade histórica é que nasce a maturidade e a força da consciência.

Artigo publicado em 20/11/08 na Revista Universo.

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