A cidade deve nos acolher em uma dimensão espacial e temporal que nos
garanta condições adequadas para o trabalho, para alimentar-se,
relacionar-se, divertir-se e estimular nossa essência afetiva. Um lugar
para viver, habitar, viajar, aprender, desejar e também de memória.
O
uso de materiais e energia para que a cidade provenha a sua função deve
prever os recursos, a paisagem, a sociedade, a cultura e a história com
a máxima eficiência. Porém, a emergência ambiental urbana associada ao
atual modelo do comportamento humano impõe uma infra-estrutura urbana de
interferência e de afinidades.
No centro da cidade de Manaus
encontramos, como exemplo, os espaços riquíssimos de edificações
históricas esmagados pela nova necessidade funcional do comércio que
re-desenha e delimita o espaço de convivência comum. Verificamos também
serviços essenciais que vêm como pacotes embrulhados de outros modelos
urbanos que nem sempre se coadunam com a realidade local como percebemos
na logística adotada no transporte.
A cidade moderna é
funcional e dinâmica mas perde a dimensão humana. Um exemplo disso é a
exclusão dos serviços públicos como o de lazer na periferia e a inserção
de equipamentos urbanos em sua maioria dispostos inadequadamente nos
bairros onde a administração pública tem maior atenção.
Vemos
neste caso, as paradas de ônibus, os telefones públicos, floreiras,
lixeiras e os containeres de lixo que estão em todos os lugares, sem
qualquer cuidado e integração com a paisagem, seja um lugar moderno,
contemporâneo ou antigo. Podemos ainda adicionar a tudo isso a falta de
gestão pública integrada para administrar a segurança e limpeza destes
espaços.
Reconhecemos assim a política da diferença e a dependência do espaço urbano da relação de poder.
No
entanto, casa, espaço coletivo, cidade é a nossa identidade que devemos
construir, cuidar e agir a cada dia. Porém, nossa agenda diária é cheia
e precisamos logo nos refugiar em casa para recuperar energia e repetir
uma jornada sucessiva. De volta ao trabalho passamos alheios aos
espaços individuais e coletivos e não vemos o quanto à degradação
ambiental urbana nos cerca.
Nesta roda viva, a velocidade do
dia a dia nos faz mandar para os ares a emoção. Vivemos crises
econômicas, ambientais e o caos que é a cidade hoje. O sistema é
complexo e nossa percepção alhures. Estamos muito longe, alheios, sem
sentimento e interação com o que nos cerca.
Entretanto, tudo
isto nos é inerente e essa é a impressão que deixamos como marca da
nossa geração pois da responsabilidade histórica é que nasce a
maturidade e a força da consciência.
Artigo publicado em 20/11/08 na Revista Universo.
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