quinta-feira, 4 de abril de 2013

A paisagem urbana do centro de Manaus

É na tranqüilidade do domingo à tarde, quando os cidadãos descansam da sua jornada de trabalho que saio a olhar o centro da cidade. Manaus do lugar de trabalhar e apreender. Viver e viajar. Lugar de tempo perdido e de esperança. Tão rica e tão desprovida.

Percebo que o novo modo de ser nos faz afeiçoados à agitação e a constância e outras qualidades já não nos apetecem. Meus olhos seguem em direção de edificações centenárias e o encantamento brilha. Logo mais, está uma construção nada bacana, mas funcional ao seu objeto comercial que em sua grande parte caracteriza o centro histórico.

É na ausência do movimento dos trabalhadores e transeuntes que a cidade se apresenta mais dinâmica na sua paisagem urbana. O novo comprimindo o velho numa mistura apática. Os comércios lícitos e ilícitos compõem a transformação urbana redesenhando o espaço público. Tudo parece tão descartável, empenhamos nossas vontades à urbanidade e a memória que constrói nossa identidade se esvai.

É na diversidade de seus vastos aromas e sabores que encontramos nas feiras coisas e espaço da terra a serem apreciadas e enriquecidas. Já as edificações escolares e os museus se sobressaem em detalhes e cores, lugares pra estimular a criatividade e indispensável para o crescimento de cada geração.
Quando chegamos a Matriz Nossa Senhora da Conceição encontramos símbolos que devidamente abordam as questões dos valores humanos. Lugar de estratificação histórica e de inspiração. Uma bela paisagem que tem mantido intacto o relacionamento com a memória através da arquitetura que mostra forte sensibilidade à atenção à beleza.

O aspecto multicultural é reconhecido quando percorremos o trajeto do Porto da Manaus Moderna até a Praça São Sebastião. Pessoas de todos os lugares estão a captar as impressões principalmente do magnificente Teatro Amazonas. Em seu entorno, percebemos um espaço já reconstituído e apraz de deleite quando nesse presenciamos os mais belos espetáculos do mundo.

Lugares em que as pessoas passam dia após dia também despertam impactos. A disposição de ambientes pode gerar solidão, bem-estar ou desconforto. Nos espaços de convivência comum vemos os equipamentos urbanos que se inserem nas calçadas e praças, quase na sua totalidade inadequadamente, e mal conservados. Temos como exemplos os telefones públicos, floreiras, lixeiras e containeres cobertos de lixo por dentro e por fora, horas a fio.

Ainda vemos casas, bares, hospitais, hotéis e muito mais. A perspectiva de sustentabilidade urbana do centro de Manaus, ao meu olhar, abrange estratégias de desenvolvimento que prioritariamente integrem o patrimônio histórico e a necessidade emergente funcional, a gestão ambiental e territorial. Também é prioritária a interligação do transporte urbano em uma logística que aporte outros serviços em sua área de convergência.

Isso para que o manauara possa viver um tempo não só produtivo mas onde a emoção e a riqueza seja instrumento de uma nova convivência.

Artigo publicado em Lar & Cia - Amazonas em Tempo em 05/09/08

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