É na tranqüilidade
do domingo à tarde, quando os cidadãos descansam da sua jornada de
trabalho que saio a olhar o centro da cidade. Manaus do lugar de
trabalhar e apreender. Viver e viajar. Lugar de tempo perdido e de
esperança. Tão rica e tão desprovida.
Percebo que o novo
modo de ser nos faz afeiçoados à agitação e a constância e outras
qualidades já não nos apetecem. Meus olhos seguem em direção de
edificações centenárias e o encantamento brilha. Logo mais, está uma
construção nada bacana, mas funcional ao seu objeto comercial que em sua
grande parte caracteriza o centro histórico.
É na ausência do
movimento dos trabalhadores e transeuntes que a cidade se apresenta mais
dinâmica na sua paisagem urbana. O novo comprimindo o velho numa
mistura apática. Os comércios lícitos e ilícitos compõem a transformação
urbana redesenhando o espaço público. Tudo parece tão descartável,
empenhamos nossas vontades à urbanidade e a memória que constrói nossa
identidade se esvai.
É na diversidade
de seus vastos aromas e sabores que encontramos nas feiras coisas e
espaço da terra a serem apreciadas e enriquecidas. Já as edificações
escolares e os museus se sobressaem em detalhes e cores, lugares pra
estimular a criatividade e indispensável para o crescimento de cada
geração.
Quando chegamos a
Matriz Nossa Senhora da Conceição encontramos símbolos que devidamente
abordam as questões dos valores humanos. Lugar de estratificação
histórica e de inspiração. Uma bela paisagem que tem mantido intacto o
relacionamento com a memória através da arquitetura que mostra forte
sensibilidade à atenção à beleza.
O aspecto
multicultural é reconhecido quando percorremos o trajeto do Porto da
Manaus Moderna até a Praça São Sebastião. Pessoas de todos os lugares
estão a captar as impressões principalmente do magnificente Teatro
Amazonas. Em seu entorno, percebemos um espaço já reconstituído e apraz
de deleite quando nesse presenciamos os mais belos espetáculos do mundo.
Lugares em que as
pessoas passam dia após dia também despertam impactos. A disposição de
ambientes pode gerar solidão, bem-estar ou desconforto. Nos espaços de
convivência comum vemos os equipamentos urbanos que se inserem nas
calçadas e praças, quase na sua totalidade inadequadamente, e mal
conservados. Temos como exemplos os telefones públicos, floreiras,
lixeiras e containeres cobertos de lixo por dentro e por fora, horas a
fio.
Ainda vemos casas,
bares, hospitais, hotéis e muito mais. A perspectiva de
sustentabilidade urbana do centro de Manaus, ao meu olhar, abrange
estratégias de desenvolvimento que prioritariamente integrem o
patrimônio histórico e a necessidade emergente funcional, a gestão
ambiental e territorial. Também é prioritária a interligação do
transporte urbano em uma logística que aporte outros serviços em sua
área de convergência.
Isso para que o
manauara possa viver um tempo não só produtivo mas onde a emoção e a
riqueza seja instrumento de uma nova convivência.
Artigo publicado em Lar & Cia - Amazonas em Tempo em 05/09/08
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